{"id":154650,"date":"2021-03-08T18:41:56","date_gmt":"2021-03-08T21:41:56","guid":{"rendered":"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/?p=154650"},"modified":"2021-03-08T19:48:07","modified_gmt":"2021-03-08T22:48:07","slug":"sikera-junior-relembra-texto-de-general-apos-ministro-anular-condenacoes-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/sikera-junior-relembra-texto-de-general-apos-ministro-anular-condenacoes-de-lula\/","title":{"rendered":"Sikera Junior relembra texto de general ap\u00f3s ministro do STF anular condena\u00e7\u00f5es de Lula"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_154028\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-154028\" class=\"wp-image-154028 size-large\" src=\"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/maxresdefault-1-1024x576.jpg\" alt=\"Sikera Junior\u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o (Alerta Nacional)\" width=\"740\" height=\"416\" srcset=\"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/maxresdefault-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/maxresdefault-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/maxresdefault-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/maxresdefault-1.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-154028\" class=\"wp-caption-text\">Sikera Junior\u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o (Alerta Nacional)<\/p><\/div>\n<p>O apresentador do Alerta Nacional <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/sikerajr\/?hl=pt-br\">Sikera Junior<\/a>, postou no in\u00edcio da noite desta segunda-feira (08) uma imagem acompanhada do s\u00edmbolo da rep\u00fablica federativa do Brasil, texto e foto de <strong>Jo\u00e3o Baptista de Oliveira Figueiredo<\/strong>, ge\u00f3grafo, pol\u00edtico e militar brasileiro. Foi o 30\u00ba Presidente do Brasil, de 1979 a 1985, e o \u00faltimo presidente do per\u00edodo do regime militar. O texto que causou pol\u00eamica no instagram do apresentador, chegou a ser um dos assuntos mais comentados no Twitter.<\/p>\n<div id=\"attachment_154654\" style=\"width: 728px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-154654\" class=\"wp-image-154654 \" src=\"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cats-3.jpg\" alt=\"Sikera Junior\u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o (Instagram)\" width=\"718\" height=\"529\" srcset=\"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cats-3.jpg 819w, https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cats-3-300x221.jpg 300w, https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/cats-3-768x565.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 718px) 100vw, 718px\" \/><p id=\"caption-attachment-154654\" class=\"wp-caption-text\">Sikera Junior \u2014 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o (Instagram)<span style=\"text-align: center; font-size: 16px;\">.<\/span><\/p><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/mc-lan-quebra-o-silencio-apos-ser-acusado-de-estupro\/\">+ Mc Lan quebra o sil\u00eancio ap\u00f3s ser acusado de estupro<\/a><\/p>\n<p>O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, anulou nesta segunda-feira ( 8) todas as condena\u00e7\u00f5es do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva pela Justi\u00e7a Federal no Paran\u00e1 relacionadas \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato.<\/p>\n<p>Com a decis\u00e3o, o ex-presidente Lula recupera os direitos pol\u00edticos e volta a ser eleg\u00edvel.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de Fachin n\u00e3o necessita de referendo do plen\u00e1rio do STF, a n\u00e3o ser que o pr\u00f3prio ministro decida remeter o caso para julgamento dos demais ministros. Se houver recurso \u2014 a PGR j\u00e1 anunciou que recorrer\u00e1 \u2014 a\u00ed, sim, o plen\u00e1rio ter\u00e1 de julgar.<\/p>\n<h3>Controv\u00e9rsia sobre o dia do golpe de 1964 ainda divide historiadores<\/h3>\n<p>Para militares, &#8216;revolu\u00e7\u00e3o&#8217; foi no dia 31; para esquerda, em 1\u00ba de abril. Pesquisador aponta 2 de abril, dia em que Congresso dep\u00f4s Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<div id=\"attachment_154658\" style=\"width: 630px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-154658\" class=\"wp-image-154658 size-full\" src=\"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ditadura10.jpg\" alt=\"Um tanque de guerra do Ex\u00e9rcito em frente ao Pal\u00e1cio da Guanabara no Rio de Janeiro em 8 de abril de 1964 (Foto: Arquivo\/Ex\u00e9rcito Brasileiro)\" width=\"620\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ditadura10.jpg 620w, https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/ditadura10-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><p id=\"caption-attachment-154658\" class=\"wp-caption-text\">Um tanque de guerra do Ex\u00e9rcito em frente ao Pal\u00e1cio da Guanabara no Rio de Janeiro em 8 de abril de 1964 (Foto: Arquivo\/Ex\u00e9rcito Brasileiro)<\/p><\/div>\n<p>Entre as v\u00e1rias controv\u00e9rsias que cercam a ditadura militar no Brasil, uma ainda persiste e divide parte dos estudiosos: o dia e o momento exato do golpe que tirou Jo\u00e3o Goulart (1919-1976) da Presid\u00eancia e deu in\u00edcio ao regime autorit\u00e1rio.<\/p>\n<h3>(ESPECIAL &#8220;50 ANOS DO GOLPE MILITAR&#8221;:<\/h3>\n<p>A ren\u00fancia do presidente J\u00e2nio Quadros, em 1961, desencadeou uma s\u00e9rie de fatos que culminaram em um golpe de estado em 31 de mar\u00e7o de 1964. O sucessor, Jo\u00e3o Goulart, foi deposto pelos militares com apoio de setores da sociedade, que temiam que ele desse um golpe de esquerda, coisa que seus partid\u00e1rios negam at\u00e9 hoje. O ambiente pol\u00edtico se radicalizou, porque Jango prometia fazer as chamadas reformas de base na &#8220;lei ou na marra&#8221;, com ajuda de sindicatos e de membros das For\u00e7as Armadas. Os militares prometiam entregar logo o poder aos civis, mas o pa\u00eds viveu uma ditadura que durou 21 anos.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria registra que a queda de Jango se deu entre 31 de mar\u00e7o e 2 de abril, mas desde ent\u00e3o, duas correntes se dividem sobre a data: para uns, entre os quais militares, a &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; se deu no dia 31; para outros, principalmente os militantes de esquerda, em 1\u00ba de abril, o dia da mentira.<\/p>\n<p>Na sucess\u00e3o de eventos que levaram ao in\u00edcio da ditadura, concentrados num intervalo de pouco mais que 48 horas, os pesquisadores destacam alguns fatos decisivos.<br \/>\n\u00c9 sempre lembrado um discurso que Jango fez a sargentos ainda na noite do dia 30, no Autom\u00f3vel Clube do Rio. Em sua fala, transmitida pela TV, ele defendeu as &#8220;reformas de base&#8221;, que inclu\u00edam, por exemplo, a distribui\u00e7\u00e3o de latif\u00fandios improdutivos para os camponeses.<\/p>\n<p>O encontro com os oficiais foi interpretado como mais um passo da aproxima\u00e7\u00e3o de Jango em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s esquerdas e contrariou setores conservadores. Da\u00ed que na madrugada do dia 31, numa iniciativa isolada, o general Olympio Moura\u0303o Filho partiria com suas tropas de Juiz de Fora (MG) em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Guanabara para derrubar o presidente.<br \/>\n\u00c9 a partir desse momento que, durante todo o dia 31, parte dos militares que queriam tirar Jango do poder, ainda bastante desarticulados, iniciaram uma intensa troca de telefonemas, principalmente entre Rio, S\u00e3o Paulo e Minas, para decidir se apoiavam ou n\u00e3o um golpe de Estado.<\/p>\n<p>&#8220;Durante todo o dia 31 de mar\u00e7o, o que h\u00e1 s\u00e3o negocia\u00e7\u00f5es, conversa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e militares. As partes est\u00e3o medindo for\u00e7as, os golpistas n\u00e3o sabem se podem vencer e o governo conta com for\u00e7as militares para derrubar os golpistas. Essa opera\u00e7\u00e3o militar n\u00e3o teve planejamento. H\u00e1 um movimento golpista em curso, mas esse movimento est\u00e1 indefinido&#8221;, diz o historiador Jorge Ferreira, um dos dois autores do rec\u00e9m-lan\u00e7ado &#8220;1964 \u2013 O golpe que derrubou um presidente, p\u00f4s fim ao regime democr\u00e1tico e instituiu a ditadura no Brasil&#8221; \u2013 o outro \u00e9 \u00c2ngela de Castro Gomes; ambos s\u00e3o professores da Universidade Federal Fluminense (UFF).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/camisa-9-da-base-do-gremio-isaac-filho-e-uma-das-novas-promessas-do-futebol\/\">+ Camisa 9 da base do Gr\u00eamio, Isaac filho \u00e9 uma das novas promessas do futebol<\/a><\/p>\n<p>Ferreira, no entanto, sustenta que os momentos decisivos para a queda de Jango ocorreram em dois dias. O primeiro, pouco antes da meia-noite do dia 31, quando o general Amaury Kruel, comandante do Ex\u00e9rcito em S\u00e3o Paulo, at\u00e9 ali um aliado de Jango, pediu ao presidente a demiss\u00e3o de ministros de esquerda. Jango recusou, e o militar aderiu \u00e0 conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Quando ele faz isso, diversos comandos militares tomam posi\u00e7\u00e3o ao lado dos golpistas. A\u00ed, no dia 1\u00ba, o movimento cresce, com tropas passando para o outro lado&#8221;, diz Ferreira.<br \/>\nO segundo momento-chave, na interpreta\u00e7\u00e3o do historiador, se d\u00e1 perto do meio-dia de 1\u00ba de abril, quando, acuado ante a tomada do Forte de Copacabana por militares golpistas, Jango decide deixar o Rio de Janeiro rumo a Bras\u00edlia, para depois seguir para Rio Grande do Sul, sua terra de origem.<\/p>\n<p>&#8220;Quando ele faz isso, essa decis\u00e3o \u00e9 interpretada pelos seus advers\u00e1rios como admiss\u00e3o de derrota, de rendi\u00e7\u00e3o&#8221;, diz. Em Porto Alegre, Jango decide recuar de vez: mesmo sob conselhos de iniciar uma resist\u00eancia, opta por evitar uma guerra civil no pa\u00eds.<br \/>\nProfessor da USP e autor de &#8220;1964: hist\u00f3ria do regime militar&#8221;, Marcos Napolitano v\u00ea no dia 1\u00ba de abril o momento crucial do golpe, em que Jango perde o controle do aparato militar. Isso se d\u00e1, segundo ele, quando, ao lado de Kruel, os generais Humberto Castello Branco e Arthur da Costa e Silva \u2013 influentes nas For\u00e7as Armadas e que mais tarde se tornaram presidentes \u2013, resolvem aderir \u00e0 conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O dia 1\u00ba \u00e9 o dia em que Jango perde efetivamente o controle do Ex\u00e9rcito, n\u00e3o consegue for\u00e7ar uma rea\u00e7\u00e3o legalista&#8221;, diz Napolitano. &#8220;A rebeli\u00e3o militar \u00e9 desencadeada no dia 31, mas o golpe de Estado, como engenharia pol\u00edtica, que realmente tira as bases da Presid\u00eancia como figura institucional, ocorre no dia 1\u00ba&#8221;, completa o historiador.<\/p>\n<p>Vis\u00e3o destoante apresenta Marco Antonio Villa, historiador da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos e autor de &#8220;Ditadura \u00e0 brasileira \u2013 1964-1985 \u2013 a democracia golpeada \u00e0 esquerda e \u00e0 direita&#8221;. Para ele, o fato que marca o golpe se daria na madrugada do dia 2 de abril, quando o presidente do Congresso Nacional, Auro de Moura Andrade, formaliza a deposi\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n<p>O ent\u00e3o deputado Almino Affonso, que estava na sess\u00e3o do Congresso de 2 de abril de 1964, corrobora a opini\u00e3o de Villa. &#8220;At\u00e9 hoje persiste a ideia de que o golpe de estado de 64 se configurou no dia 31 de mar\u00e7o. Como isso se deu, n\u00e3o consigo entender. Mas a imprensa botou, outros acharam que era dia 1\u00ba de abril e, at\u00e9 agora, n\u00e3o se conseguiu criar a verdade hist\u00f3rica. O golpe aconteceu no dia 2 de abril\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A sess\u00e3o, convocada \u00e0s pressas, foi marcada por tumulto, com protestos por parte dos aliados de Goulart quanto \u00e0 constitucionalidade do ato. Mesmo sabendo que Jango ainda estava no pa\u00eds, o que impediria sua destitui\u00e7\u00e3o, Moura Andrade diz que ele &#8220;abandonou o governo&#8221; e que a na\u00e7\u00e3o estava &#8220;ac\u00e9fala, numa hora grav\u00edssima da vida brasileira&#8221;.<\/p>\n<p>Sem debates, o senador declarou vaga a Presid\u00eancia, sob gritos acusando-o de &#8220;golpista&#8221;. Em seguida, por volta das 3h15, foi, junto com o presidente do Supremo Tribunal Federal, \u00c1lvaro Ribeiro da Costa, para o Pal\u00e1cio do Planalto. \u00c0s escuras, empossaram o presidente da C\u00e2mara, Ranieri Mazzilli, na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. O deputado ficaria no comando por apenas dez dias; no dia 11, o Congresso elegeu Castello Branco, por 361 votos favor\u00e1veis e 72 absten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;A compreens\u00e3o que se tinha naquele momento era que a interven\u00e7\u00e3o militar era cir\u00fargica, como outras j\u00e1 ocorridas na hist\u00f3ria do Brasil at\u00e9 aquele momento.(&#8230;) N\u00e3o passava pela cabe\u00e7a de ningu\u00e9m, inclusive dos militares, essa ideia da eterniza\u00e7\u00e3o [no poder]. Imaginava-se que seria uma coisa curta&#8221;, diz Marco Antonio Villa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ocanal.com\/tvefamosos\/arquivo\/noivo-gabigol-surge-de-alianca-apos-folgas-em-minas-gerais-e-embarca-acompanhado-em-jatinho\/\">+ Noivo? Gabigol surge de alian\u00e7a ap\u00f3s folgas em Minas Gerais e embarca acompanhado em Jatinho<\/a><\/p>\n<h3>Causas do golpe<\/h3>\n<p>Se discordam quanto aos momentos decisivos do golpe, os tr\u00eas historiadores consultados pelo portal\u00a0concordam que o simbolismo da data \u00e9 pouco relevante em rela\u00e7\u00e3o aos fatores pol\u00edticos, hist\u00f3ricos, sociais e econ\u00f4micos que levaram \u00e0 queda de Jango.<\/p>\n<p>Para Jorge Ferreira, embora contasse com um razo\u00e1vel apoio at\u00e9 a metade de seu governo, a crise de Jango com setores conservadores das For\u00e7as Armadas, do Congresso, do empresariado, da imprensa e da pr\u00f3pria sociedade come\u00e7a a partir do final de 1963 e vai crescendo at\u00e9 mar\u00e7o de 1964.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do historiador, quatro epis\u00f3dios marcam esse per\u00edodo de isolamento do presidente. O primeiro, em 12 de setembro de 1963, quando cerca de 600 sargentos da Aeron\u00e1utica e fuzileiros navais da Marinha tomam Bras\u00edlia, cortam as comunica\u00e7\u00f5es do pa\u00eds e prendem os presidentes da C\u00e2mara e do Supremo Tribunal Federal. Eles protestavam contra uma decis\u00e3o do STF que exclu\u00eda suboficiais de se candidatarem em elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No dia, Jango n\u00e3o estava na capital e a revolta s\u00f3 foi contida 12 horas depois. &#8220;Ent\u00e3o a direita pensa: se um punhado de sargentos toma a capital da Rep\u00fablica, o que n\u00e3o far\u00e1 a ala janguista do Ex\u00e9rcito, generais com comando de tropa? \u00c9 a partir da\u00ed que a imprensa come\u00e7a a hostilizar Goulart&#8221;, diz Ferreira.<\/p>\n<p>Em outubro, Jango tentou implantar o estado de s\u00edtio, o que permitiria a ele derrubar os governadores Adhemar de Barros (S\u00e3o Paulo) e Carlos Lacerda (Guanabara). Apesar do fracasso, a manobra intensificou a oposi\u00e7\u00e3o dos dois ao presidente, que a partir da\u00ed come\u00e7a a buscar apoio na milit\u00e2ncia de esquerda.<\/p>\n<p>O terceiro lance se deu no dia 13 de mar\u00e7o, quando Jango fez um com\u00edcio na Central do Brasil, no Rio. &#8220;Ali, ele selou alian\u00e7a com as esquerdas e o movimento sindical. Mas \u00e9 al\u00e9m disso: ele ia governar o pa\u00eds com o apoio das esquerdas. Para as direitas, era algo absolutamente intoler\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>A &#8220;gota d&#8217;\u00e1gua&#8221;, na avalia\u00e7\u00e3o de Ferreira, se deu em\u00a0 25 de mar\u00e7o de 1964, quando marinheiros se rebelaram contra a c\u00fapula da Marinha no Rio, exigindo melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e apoiando as reformas de base propostas por Goulart. O presidente anistiou os rebelados, contrariando as For\u00e7as Armadas, que viram no aval uma quebra da hierarquia e da disciplina.<\/p>\n<p>O historiador Marcos Napolitano sustenta que a crise pol\u00edtica de Jango se deu em raz\u00e3o da dificuldade de um Congresso &#8220;conservador&#8221; em incorporar demandas sociais. Enquanto Jango propunha um governo reformista, a maioria dos parlamentares desejava um projeto &#8220;modernizante tamb\u00e9m, mas excludente&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;No fundo s\u00e3o dois projetos de pa\u00eds inconcili\u00e1veis. Eles bateram de frente em 1964. As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguiram absorver demandas sociais&#8221;, disse. &#8220;E a\u00ed o golpe acabou sendo a op\u00e7\u00e3o de muitos atores, inclusive institucionais&#8221;, completou o historiador.<\/p>\n<div class=\"materia-titulo\">\n<h3>Tradi\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es militares<\/h3>\n<p>Marco Antonio Villa, por sua vez, observa que, desde o s\u00e9culo 19, interven\u00e7\u00f5es militares se tornaram uma &#8220;tradi\u00e7\u00e3o&#8221; no Brasil em momentos de crise pol\u00edtica. A pr\u00f3pria Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1889, foi fruto de um golpe militar. Na d\u00e9cada de 20, as &#8220;revoltas tenentistas&#8221; desgastariam a Rep\u00fablica Velha, levando Get\u00falio Vargas a tomar o poder em 1930. Os militares seriam tamb\u00e9m decisivos em 1937, na instala\u00e7\u00e3o do Estado Novo, e em 1955, para garantir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.<\/p>\n<p>Villa lembra que na \u00e9poca de Jango n\u00e3o havia apenas um projeto de golpe. &#8220;Eram v\u00e1rios, da direita e v\u00e1rios da esquerda, com a democracia atacada pelos dois lados&#8221;, diz o historiador, citando planos do Partido Comunista, de militares ligados a Leonel Brizola, das Ligas Camponesas. &#8220;A luta armada j\u00e1 era preparada antes de 1964, por influ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, para se chegar ao poder pelas armas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para o historiador, o pr\u00f3prio Jango planejava um golpe ao propor a forma\u00e7\u00e3o de uma Constituinte que reformasse a Constitui\u00e7\u00e3o e permitisse a reelei\u00e7\u00e3o. Mas para Villa, a inten\u00e7\u00e3o de Goulart n\u00e3o era implantar uma ditadura de vi\u00e9s comunista.<\/p>\n<p>&#8220;O que estava na cabe\u00e7a do Jango n\u00e3o era um golpe comunista. Era repetir 1937 em 1964, dar um golpe e com muita refer\u00eancia latino-americana, o velho caudilhismo latino-americano&#8221;.<\/p>\n<p>Jorge Ferreira diz que a insatisfa\u00e7\u00e3o de governadores e empres\u00e1rios, n\u00e3o apenas com a aproxima\u00e7\u00e3o de Jango com as esquerdas, mas tamb\u00e9m com a crescente infla\u00e7\u00e3o em 1964, levaria a um quadro de radicaliza\u00e7\u00e3o. O golpe arquitetado pelos conservadores, por\u00e9m, deveria apenas depor Jango. A ditadura ao longo dos 21 anos seguintes n\u00e3o estava nos planos.<\/p>\n<p>&#8220;Preferiram chamar os militares para resolver o problema. A imprensa, os partidos pol\u00edticos, o presidente do Congresso, a Igreja chamou os militares. Chamou e eles foram. E quando chegaram, n\u00e3o quiseram sair mais.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"materia-letra\" class=\"materia-conteudo entry-content clearfix\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O apresentador do Alerta Nacional Sikera Junior, postou no in\u00edcio da noite desta segunda-feira (08) uma imagem acompanhada do s\u00edmbolo da rep\u00fablica federativa do Brasil, texto e foto de Jo\u00e3o Baptista de Oliveira Figueiredo, ge\u00f3grafo, pol\u00edtico e militar brasileiro. 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