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BiS SiGMA 2026: de Las Vegas, Mario Guardado revela corrida bilionária pelos cassinos no Brasil
O Brasil está prestes a entrar em uma nova era no setor de jogos e apostas, e nomes internacionais começam a olhar o país com atenção estratégica. Entre eles está Mario Guardado, consultor de cassinos com atuação entre Las Vegas e Brasil, que vem acompanhando de perto o avanço da regulamentação e o potencial econômico da indústria.
Presença confirmada no circuito do BiS SiGMA South America 2026, em São Paulo, Guardado surge como uma das vozes mais relevantes para discutir o futuro do iGaming no país, especialmente em um momento em que o mercado deixa o campo da especulação e entra definitivamente na fase de execução.
A expectativa não é pequena. E os números ajudam a explicar o tamanho do movimento que está por vir.
Um mercado de bilhões prestes a sair do papel
Segundo projeções acompanhadas pelo consultor, a possível legalização e estruturação da indústria de cassinos no Brasil pode destravar investimentos entre US$ 100 bilhões e US$ 120 bilhões, movimentando não apenas o setor de jogos, mas toda uma cadeia econômica ao redor.
O impacto vai muito além das apostas. Turismo, hotelaria, gastronomia, entretenimento e grandes eventos devem sentir diretamente esse crescimento, com potencial de dobrar o número de turistas internacionais de 6 para até 12 milhões por ano.
“O primeiro impacto começa com infraestrutura e geração de empregos, depois turismo, hotelaria e eventos. É uma alavanca global com impacto positivo”, afirma Guardado.

Na foto, Mario Guardado ao lado de Carlos Cardama, idealizador do BiS SiGMA South America, parceiros na articulação do projeto de lei que visa a legalização de cassinos físicos no Brasil.. – Créditos: Divulgação / Instagram
Além disso, a indústria pode gerar cerca de US$ 22 bilhões em arrecadação e até 1 milhão de empregos diretos e indiretos, consolidando um novo eixo econômico no país.
Brasil já está pronto, falta decisão política
Para Guardado, o Brasil já possui estrutura e demanda suficientes para operar uma indústria de cassinos em nível global. O problema não é técnico, mas político.
“Hoje o Brasil já é um país de jogos e entretenimento com tecnologia avançada, porém de maneira ilícita. Já existe uma base estruturada. O que falta é agilizar e aprovar o projeto no Senado”, afirma.
Segundo ele, parte do modelo regulatório já foi compartilhado com o governo brasileiro com base na experiência de Las Vegas, considerada o principal case mundial do setor.
O modelo de Las Vegas e o erro que o Brasil precisa evitar
Com mais de duas décadas de experiência na indústria, Guardado reforça que o maior aprendizado de mercados maduros está no comportamento do jogador, e não apenas na operação.
“Las Vegas não é só cassino. É entretenimento completo. O cliente precisa voltar, e isso só acontece quando existe equilíbrio. A receita cresce porque o sistema é sustentável”, explica.
Ele destaca que a cidade recebe cerca de 40 milhões de turistas por ano, e mesmo com oscilações no volume de visitantes, a receita continua crescendo, justamente pela capacidade de adaptação do modelo.
Esse ponto se conecta diretamente com um dos principais desafios do Brasil hoje: o comportamento do jogador no ambiente online, tema que ganha força dentro do próprio BiS SiGMA South America 2026.

Em suma, poster oficial do SiGMA 2026 São Paulo – Créditos: Reprodução
Autoexclusão, risco e o novo desafio do mercado
A implementação da autoexclusão centralizada no Brasil, que permite ao jogador se bloquear de todas as plataformas com um clique, acendeu um alerta dentro do setor.
Para Guardado, a ferramenta é importante, mas não resolve o problema na raiz.
“A tecnologia só pode ajudar quando o jogador está em campo. O processo de proteção é contínuo. É mais difícil controlar o jogador online do que no cassino físico”, afirma.
Ele aponta que o Brasil já possui cerca de 120 milhões de pessoas apostando regularmente, muitas vezes sem qualquer tipo de controle estruturado.
Ao mesmo tempo, reforça que o uso de dados como CPF pode ser uma vantagem estratégica para o país na construção de mecanismos mais eficientes de monitoramento.
Esse debate, inclusive, ganha protagonismo no BiS SiGMA South America 2026, que passa a tratar o comportamento do jogador como um dos temas centrais da indústria. Iniciativas baseadas em tecnologia e educação vêm ganhando espaço nesse cenário, como a brasileira Norte, selecionada para apresentar seu pitch no evento com foco em prevenção e sustentabilidade do usuário.
Jogo Responsável deixa de ser discurso e vira estratégia
Diante desse cenário, o conceito de Jogo Responsável ganha uma nova dimensão dentro do setor.
Para Guardado, tratar o tema como custo é um erro.
“A indústria do jogo é uma das únicas que não aceita incentivos ou subsídios do governo. Tudo é investimento próprio. Falar em custo sem entender o retorno é falta de coerência”, afirma.
Ele também critica a contradição no debate público brasileiro.
“Se fala mal do jogo, mas o próprio sistema se beneficia dele. O Brasil hoje exporta jogadores de alto poder aquisitivo e mantém um enorme mercado interno clandestino”, diz.
Segundo o consultor, o maior desafio não está na aceitação do mercado, mas na narrativa política e na falta de liderança clara para avançar com a pauta.
Segurança jurídica e reputação como base do setor
Com a possível legalização dos cassinos físicos, Guardado acredita que o nível de exigência será ainda mais alto, especialmente no campo jurídico e operacional.
“A indústria já opera com padrões globais muito rígidos. Qualquer falha pode gerar multas milionárias ou até expulsão do mercado. A reputação vem antes do lucro”, explica.
Ele destaca que cassinos físicos têm uma característica importante. São naturalmente mais controláveis e reguláveis, com processos bem definidos e auditáveis.
“A tecnologia de compliance precisa trabalhar em total cooperação com autoridades. Não existe espaço para erro nesse nível de operação”, afirma.
Quem é Mario Guardado
Com formação pela University of Southern California (USC), em Los Angeles, em Ciências Políticas e Relações Internacionais, Guardado construiu sua carreira entre hotelaria, tecnologia e indústria de cassinos.
Ele iniciou sua trajetória no setor no final dos anos 90, em Las Vegas, e hoje atua como consultor em política econômica e tecnologia global, além de trabalhar diretamente em projetos de legalização de cassinos físicos no Brasil.
Atualmente, também presta consultoria para grandes operadores do mercado, com atuação baseada em análise de dados e comportamento do consumidor.
O Brasil no radar global
A presença de Mario Guardado no BiS SiGMA South America 2026 reforça um movimento claro. O Brasil deixou de ser promessa e passou a ser prioridade no cenário global do iGaming.
Com potencial bilionário, demanda reprimida e interesse internacional crescente, o país se aproxima de uma virada histórica.
Mas, como o próprio consultor deixa claro, o sucesso não depende apenas de aprovação regulatória.
Depende de execução.
E, principalmente, de entender que crescimento sem controle já não funciona mais em um mercado que começa a amadurecer.
Reportagem de Wesley Ferreira, com colaboração de Claudinei Fernandes na apuração.

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