Avanços tecnológicos transformaram o planejamento cirúrgico no Brasil, mas o crescimento acelerado dos recursos digitais também trouxe um novo desafio: o risco de que pacientes confundam inovação com garantia de resultado. O alerta é do cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que reforça que equipamentos de última geração não eliminam a necessidade de avaliação clínica criteriosa e experiência profissional.
“Quando falamos de tecnologia em cirurgia plástica, o ponto central nunca é a máquina. É sempre o médico. Tecnologia nenhuma substitui critério, julgamento clínico ou experiência. Ela só potencializa o que já está bem indicado.”, afirma.
Cada caso é único, e começa com escuta, não com aparelhos
O especialista explica que não existe técnica ou equipamento milagroso, e que a etapa mais importante de qualquer procedimento é a compreensão profunda do paciente: suas expectativas, histórico clínico, anatomia e rotina de vida.
“Antes de pensar em técnica ou aparelho, eu preciso entender o que aquela pessoa busca de verdade. Só depois decido o que faz sentido. Muitas vezes, inclusive, a melhor decisão é dizer não.”
Segundo o cirurgião, essa postura é fundamental para evitar frustrações e resultados artificiais, já que o conceito moderno de estética prioriza naturalidade e preservação da identidade individual.
Vida real x expectativa construída pela internet
Com a explosão de conteúdos estéticos nas redes sociais, muitos pacientes chegam ao consultório buscando resultados imediatos e comparações irreais.
“Existe uma diferença enorme entre resultado real e resultado de rede social. As redes mostram o ‘depois’ idealizado, filtrado e rápido. A vida real tem tempo de recuperação, variações anatômicas e limites físicos.”
Para o cirurgião, a transparência no alinhamento de expectativas é uma das responsabilidades éticas mais importantes da especialidade.
Tecnologia como aliada, e não protagonista
Entre os avanços utilizados atualmente estão ultrassom intraoperatório, softwares 3D, radiofrequência e inteligência artificial, que permitem maior precisão e segurança. No entanto, Dr. Josué ressalta que a tecnologia só funciona quando existe indicação correta.
“No fim, quem garante o bom senso, a indicação e o resultado honesto sou eu. Tecnologia entra como apoio. Resultado seguro só existe quando há escuta, transparência e respeito ao corpo de cada paciente.”
Segurança antes de estética
O especialista reforça que a escolha do cirurgião deve ser baseada em critérios técnicos e não apenas na popularidade online:
- CRM ativo e título na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
- Experiência comprovada e estrutura hospitalar adequada
- Transparência nas orientações e limites do procedimento
- Referências reais de pacientes anteriores
“Cirurgia plástica é medicina, não marketing.”, finaliza.